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terça-feira, 30 de março de 2021

Maior investidor do clube empresa que disputará a Série A revela segredos do Cuiabá

 



Sentado frente a parede de vidro, numa pequena mesa com pilhas de papel, está um homem simples que comanda uma das maiores empresas do País no segmento; o que muita gente não sabe é que dos cofres dele saiu o dinheiro que transformou o modesto Cuiabá Esporte Clube no representante de Mato Grosso na Série A do Campeonato Brasileiro. Nascido em Santa Catarina há 65 anos e criado em Curitiba-PR, Manoel Dresch é o maior investidor do Cuiabá. O empresário chegou em Várzea Grande em 1982, onde montou uma recapadora de pneus, e anos mais tarde (1989) fundou a Drebor Borrachas.

A família que comanda o Cuiabá também é dona de outra marca de produtos para recapagem de pneus para caminhões, tratores e colheitadeiras, a Raytak. É um negócio para máquinas pesadas. Antes do futebol, as marcas eram praticamente desconhecidas do grande público. 

Do escritório da fábrica que produz a ‘banda’ para esses gigantes, Manoel comanda também outros negócios da família, como a bovinocultura e uma transportadora. “Tinha um frigorífico, vendi!”, revela o empreendedor. Do outro lado da BR 364, próximo ao Distrito Industrial, ele possui uma fazenda que abriga alguns milhares de cabeças de gado para corte; mas a grande paixão do empresário sempre foi o futebol.

Originalmente torcedor do Operário Várzea-grandense, Manoel virou ‘cuiabanista’ por acaso. Antes de comprar o primeiro clube empresa de Mato Grosso do ex-jogador Gaúcho, chegou a patrocinar o Tricolor Várzea-grandense e até o automobilismo. “O futebol de Mato Grosso crescendo, será bom para todo mundo”, repete o empresário, insistentemente a mesma frase, há pelo menos 10 anos; e parece que a hora chegou. “É uma dádiva de Deus ver o Cuiabá na Série A”, agradece.

A trajetória do Cuiabá até o acesso para a Série A começou no ano de 2009 quando os Dresch adquiriram o clube dos três sócios fundadores: Luís Carlos Tóffoli - o ex-jogador Gaúcho, e os irmãos William e Neto Neponuceno. “Nem lembro quanto pagamos”, despista o empresário Manoel Dresch. 

 

Entre 2006 e 2008, alegando falta de recursos, o Cuiabá anunciou o licenciamento de suas atividades, foi quando o negócio foi fechado. Depois de 13 anos e de pelejas pelas Séries D, C e B, o clube está na elite. “Infelizmente é difícil conseguir um bom patrocínio do nosso futebol, faltam empresas, incentivo”, lamentou Dresch.

O empresário lembra como tudo começou: “Um dia eu estava com os filhos (Alessandro - atual presidente, Cristiano - vice e o Aron (irmão, presidente da FMF), no Verdão, vendo um jogo do Operário, que eu patrocinava e surgiu a ideia de comprar o Cuiabá. Ali eu vi que o cuiabano adora o futebol e eu queria contribuir com aquilo de alguma forma. O que gastamos no clube é irrelevante se comparado com o prazer de vê-lo na elite do futebol nacional hoje, para representar Mato Grosso e ter o futebol do estado respeitado pela mídia nacional. Eu nem imaginava”, opinou.

Por fim, Manoel Dresch destaca que a construção da Arena foi decisiva para que o clube investisse rumo ao acesso. “Tínhamos um excelente palco, faltava um futebol forte de novo na elite”.

Como primeiro clube empresa de Mato Grosso o Cuiabá tem uma gestão profissional em todos os setores do clube, cujo balanço financeiro, divulgado pela Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), em seu site, demonstra um lucro líquido de R$ 1.725 milhão no ano de 2019. Antes de obter o acesso para a Série A o clube tinha uma média de R$ 2,5 milhões anuais em despesas.

Com o acesso, só com a cota da tv, deve faturar cerca de R$ 25 milhões este ano; sem contar os valores pagos pelos patrocinadores (Sicredi, Unimed, Grupo Amazônia). Mas a maior parte dos investimentos, sempre foi da Drebor, cujos, valores, apesar da insistente pergunta, o empresário prefere não revelar. “Nem lembro”.

Questionado se o valor investido desde 2009 já foi ressarcido, Dresch afirma: “Nada, só temos o retorno da imagem da marca que hoje se identifica com o próprio clube”, sentencia. Na semana passada o clube não teria concordado com o valor oferecido pela Rede Globo (detentora dos direitos do Brasileiro). Na verdade, grande parte dos clubes recusaram a proposta de redução das cotas.

 

Fonte: Gazeta


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