Mixto paga R$ 400 mil em dívidas trabalhistas sem conseguir acesso à Série A do Estadual - Na Cara do Gol MT

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Mixto paga R$ 400 mil em dívidas trabalhistas sem conseguir acesso à Série A do Estadual

 


Na contramão do Cuiabá Esporte, que em 19 anos conseguiu o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, o clube mais tradicional e de maior torcida em Mato Grosso – Mixto Esporte Clube – completará seu 88º aniversário em 20 maio de 2022, pelo segundo ano seguido no Estadual da Segunda Divisão e enfrentando uma de suas piores crises da história. Enquanto o Cuiabá teve um lucro líquido de R$ 53 milhões este ano, só com a cota da tv, o Mixto acaba de pagar R$ 400 mil em dívidas trabalhistas e não possui nenhuma fonte de renda.

Talvez a explicação para esse desastre fora de campo, que interfere diretamente nas quatro linhas esteja na organização, planejamento, ou na falta de ambos. Ao longo de 20 anos o clube já teve 17 presidentes; alguns polêmicos, vitoriosos, outros um total desastre, e os mais recentes renunciaram ao cargo. Foram servidores públicos, pecuarista, um vereador, advogado, secretário de estado que virou delator, dentista, bancário, ex-treinador e dois professores.

Desde a conquista do título estadual de 1996, na gestão de Orlando Fernandes Craici, o clube tem sofrido para encontrar uma diretoria competente e montar equipes competitivas, a altura de sua história e tradição. Empresário do ramo de uniformes profissionais, que investiu R$ 80 mil na montagem da loja oficial do clube, em 2015, Alessandro do Nascimento, da Tubarão Esportes, lamenta a situação do clube

“Quando uma empresa fecha, isso não acontece da noite para o dia, isso ocorre por uma sequência de erros; querem inventar a roda e sempre trabalham a curto prazo. Não há planejamento estratégico. O time é uma junta, são empresários aventureiros, oportunistas que usam o clube inclusive como trampolim político, porque o clube abre portas. Tem muita vaidade, tem ego envolvido”, opinou o empresário.

Em 2015, Alessandro montou a boutique do Mixto, na avenida Isaac Póvoas, onde produzia e vendia centenas de produtos oficiais com o escudo alvinegro. Mas a ideia não durou muito. Apenas quatro meses depois, com a queda nas vendas, foi obrigado a fechar as portas. “Nunca, ninguém acreditou no Mixto como eu acreditei”, afirma, para em seguida manter a esperança de ver o Tigre ressuscitar das cinzas. “Se houver planejamento e organização pode recuperar o tempo perdido”,,  concluiu.

Após a gestão de Orlando Craici, que concluiu o mandato em abril de 2000, após 13 anos no cargo, o clube foi dirigido pelo ex-jogador de futsal e bacharel em educação física Wilson Bregunci (2001/2002), não concluindo o mandato. Na época foi bastante criticado por ter mandado o time se retirar de campo, em 2001, na primeira final do Estadual contra o Juventude, após um erro da arbitragem.

O time de Primavera do Leste venceu por 4 x 2 e faturou o caneco por um WO na partida de volta. Em 2004, o ex-jogador e empresário Márcio Pardal, filho do ex-conselheiro Armindo Carreto Pardal (já falecido) assumia o clube, também por pouco tempo. No ano seguinte, Fabinho, outro ex-jogador, assumiu o cargo, permanecendo até maio de 2006. Um mês depois (maio/2006) o bancário Valdir Leite Silva era eleito em junho, mas ficou só três meses (renunciou ao cargo em setembro).

Em seguida, José Luis Paes de Barros (ex-presidente do clube) que presidia o Conselho Deliberativo assumiria interinamente, até o servidor público Reginaldo Amorim ser eleito em dezembro. Mas, em 2007 Amorim renunciaria no mês de setembro, para dar lugar ao vereador Júlio Pinheiro, eleito em outubro. Pinheiro, apesar de ter prestígio político, montou uma equipe caseira, sem estrelas, e, apesar das dificuldades, superou o União, em pleno Luthero Lopes, para ser campeão estadual após um longo jejum de 12 anos. Mas, após o título, Pinheiro abandonou o clube e em abril de 2009 renunciaria ao mandato. Pinheiro faleceu em 2016.

Márcio Pardal assumiria em abril, para renunciar em novembro de 2010. Numa eleição com apenas dois candidatos o Conselho escolheu o advogado João Amuí no mês de dezembro daquele ano, numa disputa com o jornalista Orlando Antunes. Em fevereiro de 2011 João Amuí renunciava para Hélio Machado, presidente do Conselho Deliberativo, assumir interinamente.

Reginaldo Amorim, novamente eleito em março, renunciou em julho de 2011. Em agosto do mesmo ano, Hélio Machado era eleito. No ano de 2012 Hélio Machado deixou o cargo em abril, após Júlio Pinheiro ter desistido de permanecer ao cargo para qual fora eleito novamente. Em julho de 2013, Hélio Machado renunciaria novamente, até o supersecretário de Estado, Eder Moraes ser eleito em junho. Com ideias megalomaníacas, Moraes iniciava uma trajetória que parecia revolucionar o clube, com contratações de impacto e investimentos na ordem de R$ 5 milhões, que não deram em nada

No ano de 2014, Eder Moras renunciava ao cargo em julho, após ter sua prisão decretada pela Justiça e se tornar delator nas operações da Polícia Federal. Elber Rocha, então presidente do Conselho Deliberativo assumia interinamente; em seguida Cristino Batista, eleito presidente do Conselho. Em novembro de 2014, o torcedor e ex-gandula do Verdão, Paulo César Camargo – o Gatão é eleito com a voto da maioria, como candidato único. Em menos de um ano de gestão, enfrentou forte resistência do Conselho Deliberativo, que renunciou em peso. No mesmo ano o departamento de futebol do clube foi terceirizado para gestores de Campinas-SP, até um atleta de 21 anos, contratado em Curitiba/PR, denunciar às autoridades dois empresários ligados ao clube e aos gestores. Extorquido, o jogador denunciou o caso em reportagem exclusiva de A Gazeta e colocou os golpistas para correr.

Gatão saiu. Foi o 12º a renunciar. Em seu lugar assumiu o ex-goleiro de futsal e funcionário público Walter Hudson, que renunciou em maio de 2020. Em julho do ano passado, Vinícius Falcão assumiu o clube, e recentemente justificou a parceria com empresários para o envio do time Sub-19 -campeão estadual – para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior: “Aqui é muito difícil, não temos nem campo para treinar”, declarou. Para o atual presidente, Vinícius Falcão, “o uso indevido do clube, por gestores que apenas usufruíram da imagem e repercussão do cargo e não deixaram legado, levaram o Mixto à atual situação”. “O clube não tem a menor estrutura, não temos CT, administração, um jurídico, nem endereço físico, esqueceram disso. O Conselho Deliberativo da época deixou a Deus Dará e por isso o clube está nessa situação. Se o clube tivesse essa estrutura física seria bem diferente. Ao meu ver, a falta dessa estrutura física só agravou a crise!”, afirmou Falcão.

Segundo Falcão, o clube tem pago suas dívidas trabalhistas, graças aos recursos da Timemania. “Quadruplicamos nossa arrecadação e vamos chegar a R$ 500 mil até o final do ano. Tínhamos 30 processos pendentes e já foram pagos nos últimos dias, somando R$ 400 mil. Faltam mais 8 processos para solucionar”, relatou o presidente. Por fim o dirigente disse que com base na Lei da SAF (Sociedade Anônima de Futebol) será possível a reunião de todos os processos. Mas para se transformar em SAF, como o Cuiabá, o Mixto precisa reformular os estatutos do clube e declarar investimentos de pessoas físicas e jurídicas que venham a apostar no ‘negócio’. “Por enquanto isso é totalmente inviável”, opinou Falcão

Sobre o CT, do Pedra 90, que está sendo construído pelos irmãos Paes de Barros (filhos do ex-presidente Ranulpho Paes de Barros), Falcão disse que há um compromisso do ex-senador e jornalista Antero Paes de Barros, em após a conclusão da obra, ceder o espaço ao clube. “Mas a obra ainda não terminou. Estamos construindo um CT no bairro Santa Isabel, onde era o Miniestádio Pelezinho, a Prefeitura fez um comodato para o clube. Vamos aumentar as dimensões do campo e melhorar a estrutura”, concluiu.

A Gazeta (foto: assessoria/arquivo)

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