Jovem goleiro Breno é o camisa número 24 do Grêmio.
Você sabia que, dos 20 clubes que estão disputando a Série A
do Campeonato Brasileiro, apenas um deles possui jogador usando a camisa número
24? É o Grêmio. E quem utiliza é o jovem goleiro Breno Fraga .
Jovem goleiro Breno é o camisa número 24 do Grêmio
Você sabia que, dos 20 clubes que estão disputando a Série A
do Campeonato Brasileiro, apenas um deles possui jogador usando a camisa número
24? É o Grêmio. E quem utiliza é o jovem goleiro Breno Fraga .
Jovem goleiro Brenno é o camisa número 24 do Grêmio
O goleiro gremista disse ainda que nunca foi alvo de piadas
ou brincadeiras preconceituosas por conta do seu número. “Nunca. Pelo menos
diretamente para mim, não. Nem jogador e nem torcedor, de ninguém”, finalizou.
Obrigação pelo número 24
Entretanto, nos torneios sul-americanos, como Copa
Libertadores e Copa Sul-Americana, a Conmebol obriga os clubes a terem um
jogador com a camisa 24, já que a inscrição tem que ser sequencial, de 1 a 30.
Essa é a única exceção à regra.
Diante dessa obrigação, os times do Brasil costumam colocar
o terceiro goleiro com essa camisa, como no caso do Internacional, que teve
o arqueiro Daniel com a camisa 24 na Libertadores. Seu número, porém,
é o 42.
Já no Flamengo, o zagueiro espanhol Pablo Marí é o 24 na
Libertadores, sendo que ele usa o 4 no Brasileirão, enquanto o Palmeiras teve o
atacante Carlos Eduardo com essa numeração na competição – no Campeonato
Brasileiro ele é o número 37.
CONMEBOL/DIVULGAÇÃO
Pablo Marí é o 24 do Flamengo na Libertadores, mas no
Brasileirão usa a camisa 4
Heterossexismo explícito
Na opinião de Gustavo Andrada Bandeira ,
doutor em educação pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do
Sul) e autor do livro “Uma História do Torcer no Presente: Elitização,
Racismo e Heterossexismo no Currículo de Masculinidade dos Torcedores de
Futebol”, os jogadores buscam se afastar de tudo que questiona a sua
masculinidade afim de evitar qualquer desgaste com torcedores.
“Os times representam torcidas. O jogador é o representante
do torcedor, ou do sócio, se a gente for pensar no clube. Ele dentro do campo
tem que desempenhar o que o torcedor espera. E o que o torcedor espera não é só
jogo de futebol, não é só qualidade técnica, gol, passe, drible… ele também
quer uma representação de outros valores”, disse em contato com o iG
Esporte .
“Independentemente de
estado ou país, a sexualidade é um conteúdo muito importante para esses
torcedores. O atleta não pode apenas jogar bem, tem que jogar bem e representar
uma masculinidade aceitável que, obviamente, é uma masculinidade não
homossexual”, continuou Bandeira.
Para ele, qualquer referência mostra o limite e a
fraqueza dessa masculinidade. “Imagina, um número nas costas. É realmente uma
falta de confiança e uma masculinidade que tem ser provada o tempo todo, o
tempo todo sob vigilância, sob controle e que qualquer coisa é perigosa”,
disse.
“Se o jogador puder evitar problemas, e aí eu entendo o lado
do jogador, esse é um a menos. Já que os torcedores acham importante que
você não use o número que faça esse tipo de referência, então não usa. E isso
chama bastante atenção”, completou Gustavo Andrada Bandeira.
Tabu dentro do futebol
Homofobia no futebol
Ainda de acordo com Gustavo Andrada Bandeira, a presença de
jogadores homossexuais no futebol não é novidade. “E sim, todos estão dentro do
armário, escondidos e performatizando como se homossexuais não fossem. O
torcedor prefere não ser representado por um homossexual “,
avaliou.
O doutor em educação pela UFRGS considera que tudo
que puder ser usado como piada ou deboche será utilizado na provocação e, no
contexto a masculinidade, é algo que se torna alvo dessas piadas e dessas
brincadeiras. Até por isso, é melhor, conceitualmente para o torcedor, que ele
não tenha um jogador que coloque em risco sua masculinidade.
“O ambiente do futebol para os jogadores profissionais é de
mercado de trabalho, e um mercado extremamente competitivo e pouquíssimas
vagas. Estamos acostumados a ver os jogadores famosos, mas a ampla maioria é de
atletas que não conseguem jogar o ano todo e que até precisam trabalhar em
outra coisa para compor salário”, lembrou.
“Se um jogador assumir a sua homossexualidade, talvez até
pudesse jogar. Mas ele teria que ser muito melhor do que os outros. Caso
contrário, em qualquer erro de passe, ele não erraria o passe por erro técnico,
mas sim por ser homossexual. Então seria muito perigoso assumir e ele fecharia
portas para um mercado restrito”, disse Bandeira.
Apesar desse tabu que ainda existe no futebol brasileiro em
relação à homofobia, Gustavo Bandeira aposta em dias melhores no futuro.
“A homofobia não é
novidade no futebol brasileiro, é uma coisa antiga. O que é novidade é a gente
perguntar se ela deveria estar aí, se não deveria ser feito outra coisa, se não
está errado essa homofobia. Isso é novidade e nos faz permitir ser otimista”,
disse.
“Os clubes estão abraçando as causas, fazem campanhas contra
o preconceito, pelo dia de visibilidade, de lutas de sexualidades não
normativas. Dá para ter uma pequena esperança de que dias melhores nesse
conteúdo aparecerão no futebol brasileiro”, finalizou o especialista.
O número 24 é praticamente proibido para os
jogadores do futebol brasileiro. E também na sociedade brasileira num âmbito
geral. A explicação mais provável e mais plausível para isso é folclórica,
cultural e com referência bastante antiga, de mais de 100 anos.
No popular ” Jogo do Bicho “, bolsa ilegal
de apostas criada no Rio de Janeiro em 1892 por João Baptista Viana
Drummond, a quadra estipulada ao animal veado é a 24ª, contendo os números
93, 94, 95 e 96. Ou seja, o 24, no ambiente machista do futebol, é relacionado
a homossexualidade.
Conversamos com o goleiro Brenno sobre o número de sua
camisa. “Não foi uma escolha minha de ter esse número, mas também não chegaram
em mim e falaram para eu usar. Não vejo problema nenhum, não tenho esse
pensamento. O importante é ir para os jogos e ajudar a equipe”, disse o
jovem de 20 anos ao iG Esporte.
“Foi o meu número de estreia (no Campeonato Gaúcho
deste ano). Estreei em um Gre-Nal, então vai ficar marcado na minha vida como
uma coisa boa. Por isso não vejo problema nenhum, é supertranquilo, não tem
mistério”, continuou Brenno.
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