Everton Cebolinha foi bem mais uma vez, enquanto o trio
Philippe Coutinho, Roberto Firmino e Gabriel Jesus deixou a desejar.
Eliminado da Copa América em 2011 e 2015 pelo Paraguai nos
pênaltis, o Brasil viu parte do filme se repetir nesta quinta-feira, desta vez
na Arena do Grêmio e pelas quartas de final do torneio. O final, no entanto,
mudou: a vitória através da marca da cal veio por 4 a 3, depois de um
frustrante 0 a 0 nos 90 minutos.
Quase 50 mil torcedores viram um Brasil que só deu liga com
um jogador a mais no segundo tempo. No primeiro, há pouco a ser destacado de
positivo, diferente quanto ao oposto.
Confira os aspectos que deram certo e outros que deram
errado (não foram efetivos) contra a Albirroja:
(CERTO) PARTICIPAÇÃO DE EVERTON
Dribles de Everton foram pontos altos da noite (Foto: AFP)
Anfitrião da noite, Everton Cebolinha foi ovacionado na
primeira vez em que tocou na bola. Por estar em sua casa, já que é a principal
estrela do Grêmio, o atacante atuava diante de holofotes e, no geral, foi quem
mais deu trabalho.
Insinuante, Everton também foi quem mais venceu duelos mano
a mano, tendo acertado quatro dribles em projeção. Quase sempre pela ponta
esquerda, o substituto de Neymar não marcou o que seria o terceiro gol na Copa
América, mas arriscou três vezes. Levou muito perigo num chute cruzado, no fim.
(CERTO) ESTRELA DE ALISSON
Alisson: cada vez mais querido pelos brasileiros (Foto: AFP)
Um dos melhores goleiros do mundo e recém-campeão da Liga
dos Campeões pelo Liverpool, Alisson tem alcançado um status de inquestionável
com a Amarelinha - o que não se via até a Copa do Mundo de 2018, por exemplo. O
camisa 1 voltou a estar seguro e a ser importante com os pés, nas saídas.
Nos pênaltis, Alisson defendeu (com alto grau de
dificuldade) a primeira cobrança paraguaia, arrematada por Gustavo Gómez, do
Palmeiras e melhor batedor dos rivais. Mesmo na casa gremista, o goleiro
revelado pelo Internacional foi muito aplaudido e teve o seu nome cantado por
todos.
(CERTO) ZAGA INTACTA
Marquinhos transmite muita segurança atrás (Foto: AFP)
Outro fator positivo foi que o Brasil, mesmo trôpego no
primeiro tempo, pouco sofreu sustos e, novamente, não levou gol. Em quatro
jogos nesta Copa América, a equipe de Tite ainda não sabe o que é ver a sua
rede ser balançada.
Além de Alisson, cabe destacar que a dupla de zaga, a mesma
do Paris Saint-Germain, formada por Marquinhos e Thiago Silva, ratificou a sua
solidez contra um Paraguai que abriu mão de atacar em boa parte do embate.
(CERTO) VÍNCULO COM A TORCIDA
O torcedor fez bonita festa na Arena (Foto: AFP)
O povo da Arena do Grêmio estava disposto a espantar o frio
de Porto Alegre (14ºC) e fez festa desde antes de a bola rolar. Everton e
Arthur foram muito festejados, mas também todos os nomes da Seleção foram
bastante saudados quando anunciados no telão. Houve um "clima de
Libertadores", segundo apontado pelo Gabriel Jesus, na zona mista.
Dá para dizer que uma vitória com o caloroso apoio da
torcida, ainda mais de uma maneira dramática, pode ajudar a aproximar a Seleção
Brasileira de mais torcedores. O próximo confronto será no Mineirão, é bom
citar.
(ERRADO) TRIO COUTINHO-JESUS-FIRMINO
Coutinho não chamou a responsabilidade como pode (Foto: AFP)
O badalado trio citado acima esteve longe do protagonismo
esperado - e que respingou mais em Everton na noite passada. Coutinho ainda foi
o que mais tentou finalizar no jogo (cinco ao todo), porém não foi
participativo na segunda linha e não foi efetivo na criação, como a função de
articulador pede.
Já Gabriel Jesus e Roberto Firmino, estes mais residentes na
área e homens-gol, passaram em branco e deram diversos contra-ataques. Jesus,
aliás, chegou a ouvir tímidas vaias no primeiro tempo. No fim, o atacante do
Manchester City marcou o pênalti decisivo e desabafou: "Estava p*** comigo
mesmo". Firmino, por sua vez, pouco lembrou o jogador de pivô e toques
curtos dos Reds.
(ERRADO) MEIO POUCO CONTROLADOR
No meio, Tite contará com Casemiro de volta, para terça
(Foto: AFP)
Segundo o site Footstats, Arthur foi o segundo jogador que
mais vezes teve a posse de bola no jogo, só ficando atrás de um zagueiro
(Marquinhos), o que é natural. Entretanto, o camisa 8 não fez o que se espera
dele, sob por estar atuando na Arena gremista, onde conhece cada atalho.
Quem também não deu a dinâmica que o Tite aguardava foi
Allan, que só jogou por conta da suspensão de Casemiro e das dores no joelho de
Fernandinho. O volante do Napoli, que alternava com Arthur nas saídas
canarinhas, não associou com o restante do time e foi abaixo do nível dos
demais na etapa final. Tanto que foi sacado. Ou seja, não aproveitou a ótima
chance de brilhar.
(ERRADO) FALTA DE CAPRICHO
Paquetá entrou, e Gatito não foi vazado; só nos penais
(Foto: AFP)
Enquanto o confronto era de dez contra dez na linha, o
ferrolho do Paraguai evitava que o Brasil quebrasse linhas - quase sempre - e
se aproximasse de sua área. No entanto, no segundo tempo, o que faltou de
concreto foi capricho para concluir melhor e tirar mais das boas interceptações
dos paraguaios.
Pode ter pesado também o fato do gramado, cujas condições
ruins foram bem citadas por Tite na coletiva. Não dá para deixar de sublinhar a
ótima atuação de Gatito Fernández, autor de dez defesas e o melhor em campo, de
acordo com votação popular. De todo modo, alerta ligado para as semifinais.
(ERRADO) SAÍDA DE FILIPE LUÍS
Filipe será reavaliado nesta sexta (Foto: Raul Arboleda /
AFP)
O último item foi uma fatalidade. Bem no primeiro tempo, com
a sua regularidade nas duas fases (defensiva e ofensiva) de praxe, Filipe Luís
teve que deixar o jogo no intervalo por conta de dores no músculo posterior da
coxa direita. Ele será reavaliado nesta sexta; Alex Sandro entrou foi quem
entrou.
Talentoso, Alex foi discreto, mas é inegável que o Brasil
perde uma parcela de força caso Filipe não possa estar em ação na próxima
terça, quando a seleção brasileira recebe o vencedor de Venezuela x Argentina,
no Mineirão.
Fonte: Ig Esportes
