Dirigente afirma que é inviável e desumano o retorno da competição mais à frente e quer atitude imediata da Federação Mato-grossense de Futebol.
O site Olhar Esportivo segue na apuração de opiniões de membros dos clubes mato-grossenses diante da incógnita vivida dos estaduais, devido à suspensão por tempo indeterminado pela pandemia do coronavírus.
O vice-presidente do União, Reydner Souza, se posicionou em nome do clube através da reportagem do Olhar Esportivo, via telefone. O dirigente Colorado defende o cancelamento do Campeonato Mato-grossense 2020, sem decretar nenhum time campeão e nenhum rebaixado para a Segunda Divisão.
“O União Esporte Clube é favorável ao cancelamento da competição, porque com o cancelamento não há campeão, não há rebaixados e seria a forma mais justa. Porque mais justa? Porque todos os times gastaram por igual, com exceção ao Cuiabá. Não seria justo agora em uma nova fase, onde todos têm a mesma chance, desde o Luverdense, que foi o oitavo, ao Cuiabá que foi o primeiro, de ser campeão do estado. O Nova Mutum por ser o time mais jovem, um time que vinha com muito tesão na competição, poderia ser campeão. O União, com um time experiente, que veio fazendo uma excelente campanha, poderia ser campeão. O Dom Bosco com sua história, sua camisa pesada, poderia ser campeão, o Operário montou um super time, poderia ser campeão. Então seria injusto hoje terminar a competição e deixar essa classificação. Seria extremamente de mal gosto, se a Federação partisse para esse lado. Injusto com os clubes que classificaram, desleal, porque todos teriam a mesma chance. É um novo campeonato, é um mata-mata, cansamos de ver na história do futebol brasileiro, do futebol mundial, e do futebol mato-grossense que nem sempre o melhor, o mais caro leva a vantagem. Se caso não for haver o campeonato, é cancelamento, não tem outra alternativa nesse momento”, afirmou o vice-presidente do União, Reydner Souza.
Questionado sobre a hipótese de um retorno do Mato-grossense em maio ou em junho, o vice-presidente diz que não vê essa possibilidade, a menos que haja um forte apoio financeiro, devido às suspensões de patrocínios e obrigações com atletas, além da inviabilidade de investimento dos times do estado neste longo tempo de competição.
“Eu não vejo hipótese nenhuma do campeonato voltar, aqui no União Esporte Clube não se desenha isso mais, voltar em maio como? Nós temos obrigação de serviços prestados dos atletas 18 dias do mês de março, só que dentro da legislação trabalhista, eles não foram dispensados, então eles têm o mês inteiro, o mês de março, teria o mês de abril para receber, maio para junho, são quatro meses, eu acho totalmente inviável para um time do estado de Mato Grosso, a não ser que haja uma ajuda financeira, como estamos vendo o Governo Federal, dizendo para não mandar embora, para segurar o funcionário, mas está dando incentivo, arcando com 70% do salário dos funcionários, dando linha de crédito para financiar os pagamentos, protelando pagamento de impostos, está havendo uma contra partida do governo, para que as coisas continuem como está, e no futebol? Os clubes pequenos, quem vai dar esse aporte? Por exemplo aqui no União foi cortado todos os patrocínios, todos suspensos. Como que resolve essa questão? Então fica muito difícil esse campeonato voltar em maio, é inviável, desumano para os clubes do estado de Mato Grosso”, indagou Reydner.
Além disso, o vice-presidente do União cobra uma posição imediata da FMF a favor da anulação da competição, que segundo ele, já deveria ter sido tomada, mesmo com burocracias de contratos de patrocínios.
“Inclusive eu venho há tempo cobrando a Federação, alertando, que ela tinha que tomar um posicionamento sério, há uns dez dias atrás. Está o Ministério da Saúde dizendo, todos os órgãos governamentais dizendo, que não será agora, não vai ser em abril, em maio, que essa onda vai passar. Já tinha esse prognóstico que iria ser longo esse período, a Federação tinha que ter tomado uma atitude, cancelado o campeonato. Mas e a CBF? A CBF ela só opina, só dá sugestão, ela não interfere. Qual o objetivo de segurar isso, as vagas da Copa do Brasil? As vagas são da CBF, vamos nos preocupar primeiro com o estadual, depois aí sim a palavra da CBF vai pesar muito, porque aí vem as competições dela, Copa do Brasil, e as outras. A Federação Mato-grossense tinha que ter tomado uma outra postura, em cancelar o campeonato agora no final do último mês, depois abriria uma nova discussão, de como será distribuída essas vagas, de que forma, mas pelo menos os clubes já dispensavam os atletas, já buscavam soluções para que não protelasse mais essa questão de ordem. Acho que a FMF foi omissa nesse aspecto, não é falta de cobrança dos clubes, eles estão cobrando. O argumento é que nós vamos perder o patrocínio, vamos perder isso, mas vai perder, a gente já sabia que iria perder, eu coloquei no grupo que estava escrito que iria perder. Que iria haver suspensão do patrocínio. Não existe mais argumento hoje, essa tese de que eu provoco ou você provoca, nós estamos diante de uma pandemia, qualquer ação que tomar hoje, preventiva, ela será bem vista. É natural, porque hoje a preocupação maior é com a fome, é com o desemprego, a primeiro momento, neste instante, é com a saúde. Não existe planejamento hoje, se a gente não sabe futuro. O União está aguardando o movimento das coisas, para depois de tudo que passar, ver o que sobrou, bater a poeira e traçar um novo recomeço. E deixar claro que o União é imatável, sempre deixei claro isso. Recomeçar, isso vai ser para o mundo, todos vão ter que aprender a caminhar de novo depois dessa pandemia, não vai ser diferente aqui.”
Sobre como ficariam as duas vagas para a Copa do Brasil e duas vagas para a Série D do Brasileiro, ambas competições de 2021, Reydner Souza afirmou no momento o clube não tem opinião sobre isso, que essa decisão será da CBF.
“O União não tem opinião formada em relação a divisão das vagas, mesmo porque são vagas da CBF, é a CBF que destina essas vagas. Não existe um critério justo, qualquer pessoa hoje que der opinião do que é mais justo nesse caso, não tem, porque todos tinham chance. Seria deselegante dizer qual seria o melhor jeito de dividir as vagas, isso ficará a critério da CBF. Não adianta a gente espernear depois, na hora que botar a mão de ferro em cima não vai ter choro, nem vela que resolva isso. É momento de sabedoria, a Federação tem que se manifestar, tem que vir a público e dizer que está cancelando o Estadual. Mais do que isso, qualquer coisa que fizer além disso, ela está não está sendo justa com os seus associados. Vamos primeiro tratar do Estadual e depois de vagas, porque não são da Federação. A CBF que decide como irá distribuir. É triste o que está acontecendo, o que estamos vivendo, estamos focados em cuidar da saúde, mas o momento é agora”, cobrou o vice-presidente.
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