(GE)
O sinal de alerta já fio ligado pelos organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio. O surto de coronavírus, originário da China, já faz com que comitês, federações internacionais e atletas temam pelas viagens a Tóquio e proximidades nestes últimos cinco meses antes da Olimpíada no Japão.
Campeão com o revezamento 4x100m do Brasil no Mundial de Revezamento na cidade japonesa de Yokohama, em 2019, o velocista Paulo André Camilo disse em entrevista ao podcast Rumo ao Pódio, da Globo, que se adaptou bem ao fuso horário, à comida (apesar de ter chefe brasileiro por lá) e aos hábitos dos japoneses. Mas o que ainda o preocupa rumo à Olimpíada de Tóquio é o coronavírus.
- O que preocupa é essa questão do coronavírus. Vamos ver o que vai acontecer. A gente teve um "camp" agora falando tudo sobre o Japão, mas foi uma semana antes do noticiário sair. Certeza que vão fazer outro para falar disso (coronavírus) também. Mas temos que tomar bastante cuidado nas viagens, não dá para brincar, não - afirmou Paulo André. O COB (Comitê Olímpico do Brasil) emitiu comunicado sobre o coronavírus no último dia 28 de janeiro.
Atleta mais rápido do país atualmente, Paulo André viaja em 23 de março para os Estados Unidos e, lá, fará a primeira grande competição do ano, onde pretende quebrar a barreira dos 10 segundos e quebrar o recorde brasileiros dos 100 metros. Uma boa marca os Estados Unidos pode levar Paulo André a receber convite para competir na Liga Diamante, a principal série de provas internacionais do atletismo. Depois, ele volta para casa e vai disputar o Troféu Brasil, em Bragança Paulista, dia 7 de maio. Em seguida, viaja circuito europeu e fica direto até a Olimpíada de Tóquio. Dentre os eventos que deseja participar antes dos Jogos Olímpicos, um ainda não foi confirmado.
- Tem a Liga Diamante em Xangai (em 9 de maio), mas deve ser cancelado - recorda Paulo André.
MUNDIAL INDOOR ADIADO
Marcado para o período de 13 a 15 de março, o Mundial de Atletismo Indoor 2020 está oficialmente adiado para o ano que vem. Em comunicado divulgado pela World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) nesta quarta-feira, a entidade informou que o evento segue mantido na cidade de Nanquim, na China, mas acontecerá apenas em 2021, também no mês de março. O motivo do adiamento é o surto de coronavírus, que já infectou 6.078 pessoas em solo chinês, levando 132 destas a óbito.
Realizado a cada dois anos, o Mundial Indoor seria a principal competição internacional antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. A última edição do evento aconteceu em 2018, na cidade de Birmingham, no Reino Unido.
JOGOS OLÍMPICOS MANTIDOS, SOB ALERTA
Diretor-executivo do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, Toshiro Muto diz estar preocupado com o possível impacto do vírus na realização do megaevento.
- Estou seriamente preocupado que o alastramento dessa doença possa ser um balde de água fria nesse momento dos Jogos. Espero que isso (coronavírus) seja dissipado o mais rápido possível - disse o executivo.
A preocupação também é compartilhada com outros órgãos ligados a realização das Olimpíadas, como o governo de Tóquio.
- Devemos agir firmemente com o coronavírus para contê-lo, ou vamos nos arrepender - declarou a governadora Yuriko Koike.
O coronavírus, que começou a se proliferar na província de Wuhan na China, já contaminou mais de 24 mil pessoas só no país, provocando 500 óbitos. No Japão, sede dos Jogos Olímpicos de 2020, o número de casos registrados até agora é de 20.
- Eu realmente espero que a infecção morra de forma que nos possibilite operar as Paralimpíadas e Olimpíadas aos poucos. No pior cenário, vamos fazer o necessário pelos atletas, para que eles possam se concentrar em dar seu melhor - comunicou o prefeito da Vila Olímpica, Saburo Kawabuchi.
Apesar dos temores, a possibilidade do coronavírus afetar o cronograma dos Jogos Olímpicos parece distante. Recentemente, o comitê organizador do torneio teve que vir à público negar os rumores de que as Olimpíadas seriam canceladas devido ao vírus.
- O comitê organizador de Tóquio 2020 vai trabalhar coordenadamente com o Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Paralímpico Internacional, o governo japonês e o de Tóquio para resolver esse problema definitivamente - garantiu o CEO Toshiro Muto.
