O futebol e sua capacidade incrível de mudar sentimentos de
um minuto para o outro. A história de River Plate e Cruzeiro, na noite desta
terça-feira, no Monumental de Núñez, na Argentina, pela primeira partida das
equipes nas oitavas de final da Copa Libertadores mostra isso.
O duelo já caminhava para o fim. O relógio do árbitro já
contava com 52 minutos de jogo quando, após uma cobrança de escanteio, o VAR
alertou o árbitro para uma irregularidade. O juizão foi até a tela e viu que
Henrique puxou a camisa de Lucas Pratto, marcando, portanto, o pênalti.
Seria a água no chopp do Cruzeiro que fez uma partida
defensivamente impecável, conseguiu segurar o ímpeto do River em sua casa e
assim garantindo o resultado para buscar a classificação em Belo Horizonte. O
time de Mano Menezes fez um primeiro tempo se defendendo mais e uma etapa
complementar aproveitando bem os contra-ataques e, por detalhes, não marcou seu
gol.
Então, no último minuto, Suarez, com o Monumental todo em
suas costas, foi para a cobrança. O silêncio no estádio após a batida deu
sentença ao argentino: o chute saiu forte, com altura e a bola foi parar nas
arquibancadas.
As equipes se encontram na próxima semana, em Belo
Horizonte, no Mineirão, e decidem quem avança para as quartas de final da Copa
Libertadores da América.
O Cruzeiro entrou em campo com seu melhor time. Vale
lembrar, inclusive, que Fred não viajou para Buenos Aires por causa de uma
crise de labirintite, mas, ainda assim, Mano Menezes tinha seu melhor time em
campo. Já o River Plate iniciando temporada, tinha mudanças, era um clube
diferente daquele que conquistou a América e tinha Lucas Pratto no banco de
reservas.
Os primeiros minutos do confronto foram de muita igualdade
em campo. As equipes faziam um importante duelo no meio, com trocas de passes e
posturas defensivas e ofensivas parecidas, com as propostas de jogo.
Isso durou até os 10 minutos de jogo. Após isso, o River
passou a colocar em campo um ritmo mais intenso de jogo. E passou a pressionar
muito o Cruzeiro. Os argentinos dominaram o meio campo completamente e toda
escapada da Raposa era rapidamente recuperada. O River cercou a área celeste e
passou a colocar bolas insistentemente dentro da área.
Esse momento do jogo durou cerca de 12 minutos, até os 22, e
serviu para mostrar o potencial do clube argentino, mas, sobretudo, a
capacidade do time de Mano Menezes de ser pressionado sem sofrer grandes
sustos. O River aproximou da área, mas não chegou contra o gol de Fábio claramente
com uma chance de marcar um tento. O porém é que não conseguiu criar o
contra-ataque perfeito para abrir o placar.
Aos 24 o River conseguiu criar uma chance com muito perigo.
Em cruzamento na área, Álvares desvia de cabeça, antecipando a chegada de Dedé,
mas Fábio conseguiu defender. No rebote, Fernández chutou para fora.
O Cruzeiro tentou igualar as ações em campo, mas não teve
forças para avançar nas linhas de marcação com qualidade. A melhor chance
ocorreu aos 36, em uma ótima escapada de Pedro Rocha pela esquerda, mas a zaga
conseguiu se recompor com qualidade para evitar o pior.
Na volta do intervalo, o Cruzeiro demorou apenas um minuto
para conseguir balançar as redes. Em ótima jogada de meio campo, Lucas Romero
deixou Marquinhos Gabriel na cara do gol e o atacante balançou as redes. O VAR
entrou em ação e percebeu o impedimento por milímetros.
A situação serviu para mostrar que o Cruzeiro seria
diferente em campo na etapa complementar. Se no primeiro tempo o time de Mano
Menezes ficou acuado sendo atacado, agora se mandaria para o jogo.
A entrada de David também deixou o Cruzeiro mais eficiente
na frente. A Raposa passou a incomodar bastante a zaga do River Plate que
passou a ter dificuldades na marcação e, com isso, não conseguia ser tão
agressivo como na etapa inicial.
Após a entrada de Lucas Pratto, o River voltou a crescer. O
ex-atleticano demorou um tempo até conseguir entrar na partida, mas levou, pelo
menos, duas chances claras contra a meta do goleiro Fábio.
O VAR entrou em ação no último lance do jogo. Em um
cruzamento na área, Henrique segurou Lucas Pratto e após consulta ao árbitro de
vídeo, o pênalti foi marcado. Suarez foi para a cobrança e mandou longe.
Gazeta Esportiva
