O ponteiro Dante explicou na manhã desta quarta-feira, 21,
os motivos que o fizeram optar pela aposentadoria ao final desta temporada. Um
dos principais nomes do vôlei brasileiro no século, o atleta fez parte da
geração que faturou o ouro olímpico em Atenas, 2004, além das pratas em 2008 e
2012 e diversas conquistas mundiais com a seleção – foram sete Ligas Mundiais.
Ao explicar o adeus em coletiva de imprensa no Abaeté, Dante
se emocionou e chegou às lágrimas. Mas no geral, se manteve sorridente. Segundo
ele, a ideia vinha amadurecendo em sua mente desde o início da temporada. E
conforme os jogos foram passando, as dores, antes incomuns, foram aparecendo.
Este foi o sinal de que se não parasse por bem, logo uma lesão faria com que
ele deixasse as quadras.
– Uma coisa, você pode escolher: como vai encerrar sua
carreira. Isso aí, você tem o direito particular. Ao mesmo tempo que sua cabeça
diz “vai”, o corpo não responde como você pensa. Minha vida toda, eu pensei em
encerrar minha carreira jogando um vôlei no nível que imagino que posso jogar,
e não jogando muito inferior ao que eu gostaria. Quero deixar uma imagem muito
boa para meus fãs e para quem acompanhar o voleibol – disse.
O Vôlei Taubaté inicia as quartas de final da Superliga no
próximo domingo, 25, quando recebe Minas. Depois do término da competição, o
ponteiro afirmou que pretende descansar e dar início a projetos sociais em
Itumbiara-GO, onde cresceu, e Sorriso-MT, onde pretende morar.
– Os projetos estão praticamente feitos. Queria encerrar a
carreira para presenciar de perto. São projetos para crianças carentes de até
16 anos. Eu fiz muita questão de fazê-lo porque é um jeito de contribuir com
tudo que vivenciei. E quero acompanhar de perto. As crianças terão de estar
matriculadas em escolas e com notas boas. Essa será nossa ênfase: criar
cidadãos do bem – disse.
Carreira
Dante iniciou a carreira em 1999 pelo Três Corações-MG. Não
demorou até que fosse convocado para a seleção brasileira. Participou de quatro
Jogos Olímpicos. Em 2000, na Austrália, foi eleito terceiro melhor ponteiro da
disputa, apesar do Brasil não faturar medalha. Nos jogos seguinte, em Atenas,
veio o ouro. Segundo Dante, essa é a memória que carrega com mais carinho de
sua carreira.
– A primeira convocação, você nunca esquece. O primeiro jogo
pela seleção, eu tinha 17 anos, eu lembro como se fosse ontem. E o ápice de um
atleta é ser campeão olímpico. É o seu limite conquistar uma medalha olímpica.
A prata e o bronze também são ótimas, mas a ouro é o nível máximo em que você
pode chegar. Foi em 2004 sim, ao ser campeão olímpico. Tem bastante coisa.
Fomos tricampeões mundiais, algo histórico. E por todos clubes em que passei,
ganhei títulos. Disso eu me orgulho – afirmou.
Se Dante elegeu com facilidade sua melhor recordação, na
hora de escolher o melhor jogador que viu, ele preferiu sair pela tangente. Mas
escolheu um grupo: a mesma seleção de 2004, pela forma como as peças se
encaixaram.
– Eu vou ficar com o grupo da seleção que fiz parte. Seria
injusto dizer um nome só. Seria injusto dizer Giba, Rodrigão ou Gustavo. Olha
quanto nome. Ricardinho, Nalbert, Maurício, André Nascimento. É muito difícil.
Gosto muito do jogo do André Nascimento. Giba é extraordinário fisicamente.
Ricardinho colocou uma marcha a mais na seleção… Não dá pra falar um jogador.
Mas aquele grupo que ganhou quase todos os campeonatos que o vôlei permite é o
melhor grupo
Dante está em sua segunda passagem pelo Taubaté. Além de
atuar no Brasil, ele teve passagens de sucesso pelo vôlei italiano, russo,
grego e japonês. Apesar de todas as conquistas em seus 22 anos de carreira,
quer o título da Superliga para fechar com chave de ouro sua trajetória.
– Pedi a eles, vocês têm o dever de me dar esse presente
(risos). É uma brincadeira. Mas acho que vai ser um algo a mais para esse
grupo. É um algo a mais para mim também. Creio que seja uma gasolina e que o
grupo todo abraçou a causa. Me sinto muito honrado, pois eles se uniram e
disseram que vão fazer de tudo para vencer – disse.
Fonte: Cidade nos Esportes
