Emma e alunos do projeto social da Academia Shotokan
Aluna de Toru Shimoji, renomado professor de Atlanta e
discípulo direto de Hidetaka Nishiyama, a jovem Emma Gough volta ao Brasil e
faz estágio na capital mato-grossense.
“A primeira vez que vim ao Brasil foi para participar do
Campeonato Pan-Americano de 2015, quando conheci o sensei José Humberto. Ele
deu aula para todos os karatecas que participaram da competição e atletas de
todas as partes do mundo. Após o treinamento de campo expressei a ele meu
interesse em aperfeiçoar meu lado competitivo, e felizmente ele aceitou. Passei
um período treinando em seu dojô, e em pouco tempo obtive grande evolução”,
disse Emma.
“Minha especialidade é o kata, mas também gosto de competir
no shiai kumitê. Meu sensei nos Estados Unidos é muito bom, mas não possui
tradição em competições, não participa muito dos campeonatos internacionais.
Ele gosta mais do karatê arte e do karatê budô. Quando conheci o sensei José
Humberto comecei a estudar a história do karatê-dô tradicional, passei a
treinar para disputar os campeonatos nacional e mundial, e desde então venho
evoluindo muito. A Academia Shotokan de Cuiabá já é referência nas Américas e
muita gente conhece o histórico deste dojô no alto rendimento”, disse a
karateca estadunidense, que enfatizou o alto nível competitivo da escola de
karatê cuiabana.
“Didaticamente
falando, sensei José Humberto tem o dom de transmitir seus conhecimentos de
forma clara e fundamentada em aspectos científicos. Ele possui vários
diferenciais, mas busca simplificar e sintetizar sua forma de demonstrar as
técnicas. Ele faz um karatê extremamente competitivo sem perder a essência tão
rica do karatê-dô tradicional. Aqui os professores focam os detalhes dos
fundamentos. É como competir sem perder a riqueza de conteúdo do tradicional”,
explicou.
O professor José Humberto falou sobre o trabalho
desenvolvido e as principais características da karateca estadunidense.
“Uma das principais características da Emma é a dedicação.
Ela é extremamente comprometida e busca aproveitar ao máximo tudo que a nossa
equipe de professores oferece a ela. O que fiz primeiramente foi avaliar quais
eram as suas melhores habilidades. Mostrei os fundamentos de karatê como defesa
pessoal, que ela poderá utilizar como karatê competitivo. Com isto ela mudou
muito a aplicação de tudo aquilo que já sabia. Ela não conhecia detalhes nem
para que serviam determinadas práticas. Com isso ela passou a entender melhor
os pontos básicos, a dinâmica corporal, força, forma e transição. Ela não tinha
a mínima ideia de como estas coisas funcionavam, simplesmente repetia os
movimentos que via. No segundo momento comecei a trabalhar a força básica, como
deslocamento, rotação, vibração e pêndulo, além do tempo e distância. Com isto,
além de otimizar a utilização de seu corpo Emma passou a potencializar a
técnica. Uma coisa que percebemos no primeiro momento é que ela não possuía
nenhuma noção de estratégia de aproximação, mas ela é muito esperta e já
evoluiu muito em pouco tempo”, explicou.
Vinda de Atlanta, a karateca Norte-americana foi a Cuiabá
para aperfeiçoar sua técnica
Questionado sobre a performance da norte-americana no kotô,
José Humberto explicou que estão sendo trabalhados alguns fundamentos do kata,
mas o foco central do trabalho é o shiai kumitê.
“Estamos dando um pequeno retoque no kata, mas ela possui
excelente base nos fundamentos, o que ajuda muito na execução das técnicas. O
foco central é o shiai kumitê, porque ela tem muito medo. Explico a ela que o
medo é necessário, mas a coragem é um aspecto fundamental no kumitê. Ela é
muito pequena e acho que seu porte físico faz com que fique ainda mais
assustada. Contudo, aos poucos ela está ficando mais e mais confiante, já está
entrando mais descontraída, soltando mais os braços, as mãos e as pernas. Tenho
certeza de que vai superar seus limites e medos e será uma grande lutadora”,
previu o professor cuiabano.
Emma Nicole encerrou a entrevista agradecendo a atenção em
sua segunda passagem pela Academia Shotokan e destacou o que aprimorou em seu
karatê.
“Agradeço muito ao senseis José Humberto, Adairce
Castanhetti e Vilda Aparecida Lúcio por todo o conhecimento que me estão
transmitindo. Percebo que melhorei meu karatê, especialmente porque na próxima
semana vou competir nos Estados Unidos. Aprendi muito também sobre o trabalho
comunitário, vivenciando ações da Shotokan em projetos sociais, além de
conhecer as diferenças culturais e sociais dos nossos países. Pude aperfeiçoar
meu português e pretendo voltar em breve para melhorar ainda mais minha
técnica. Sou muito grata a todas as pessoas daqui, e em especial ao sensei
Humberto”, disse a karateca de Atlanta.
Sensei José Humberto orientando Emma Gough
Fonte: Revista Budô


