Dom Bosco “detona” mídia esportiva mato-grossense, por linha
editorial adotada no caso Kauan/Calado.
O campeonato estadual deste ano perdeu totalmente o foco dos
gramados, com a denúncia do Dom Bosco contra União, por conta da escalação de
atletas em condição irregular, as discussões sobre vitórias ou gols ficaram
para trás. Agora sobrou até para imprensa esportiva mato-grossense, tudo porque
o Azulão da Colina não concorda com o uso da palavra “tapetão” nas reportagens
relacionadas ao imbróglio.
Na nota, o Dom Bosco busca a história para sustentar seu
repúdio pelo emprego da tal expressão e vai aos anos 90, com os casos de
Fluminense e a fatídica Copa Havelange em 2000.
Segue a nota na integra:
É uma pena. Uma pena ver como o dever que a imprensa tem de
informar corretamente pode ser desperdiçado por quem tem o maior alcance para
fazer isso.
Mais do que pena, o sentimento se transforma em revolta
quando acontece em nome de um jornalismo de entretenimento, que se preocupa
mais em fazer piada do que com os fatos em questão.
E por isso o clube Esportivo Dom Bosco REPUDIA DE FORMA
VEEMENTE as matérias que tem sido veiculadas por alguns grandes meios de
comunicação, aliás, pelo principal meio de comunicação do Estado, que insiste
em fazer gracejos utilizando a expressão “tapetão” para conceituar um clube de
futebol que respeitando os trâmites legais, busca questionar o não cumprimento
dos regulamentos esportivos por parte de outro.
FATO QUE DEMONSTRA TOTAL FALTA DE COMPROMISSO COM A MEMÓRIA
ESPORTIVA E ATÉ COM A VERDADE.
A expressão “tapetão” se popularizou nos anos 90 no futebol
brasileiro, quando a desorganização pairava sobre o esporte que é paixão
nacional. Um momento em que times e entidades mudavam a torto e a direito os
regulamentos e formas de disputas dos campeonatos para beneficiar clubes depois
de fatos já acontecidos.
O rebaixamento do Fluminense em 96 e a Copa João Havelange
em 2000 foram exemplos claros dessas situações.
Porém de lá pra cá, o futebol brasileiro, fora dos gramados,
evoluiu em vários aspectos. Não tanto quanto gostaríamos, é verdade, mas hoje
temos um calendário que apesar de não ser o ideal, impossibilita situações como
a do São Paulo que em 16 de novembro de 1994 jogou duas partidas no mesmo dia.
Uma pela extinta Copa Conmebol e outra pelo Campeonato Brasileiro.
Nosso principal campeonato é disputado, o brasileiro da
primeira divisão, é disputado há 14 anos com o mesmo regulamento, pontos
corridos, que permite aos clubes se programarem corretamente.
Além disso, foram promulgadas diversas legislações que deram
segurança jurídica ao esporte. O Código Brasileiro de Justiça Desportiva e a
lei Nº 10.671/2003 que ficou conhecida como Estatuto do Torcedor, são exemplos
claros disso.
O futebol é uma atividade que envolve vários ramos da
sociedade brasileira (esportivo, comercial, jurídico...)e logo está vinculado
ao Estado de Direito em que vivemos.
Ora se um advogado não obedecer os ritos processuais
previstos ele incorrerá no risco de perder sua causa. Se um cidadão comum abrir
um processo qualquer em um órgão público e não obedecer os requisitos terá seu
processo indeferido.
Mais... se um indivíduo infringir algum artigo do Código
Penal, poderá sofrer as penas devidas.
Ou seja, a vida em sociedade é regida por leis. Logo o
futebol, que tem tantos interesses envolvidos, também.
E resumir algo tão sério, previsto legalmente, algo que beneficia
a organização e a moralidade com um termo tão pejorativo como “tapetão”, não
passa de uma leviandade, um sensacionalismo, um desserviço à informação séria e
ao bom jornalismo.
Fonte: Futebol MT
