Piffero, o primeiro a falar, disse não era possível impedir
a saída de quem tanto fez com a camisa colorada desde aquele 31 de julho de
2008:
– Não tive como dizer não a essa vontade e a esse desejo do
D'Alessandro.
Logo na sequência, D'Alessandro, que se colocou à disposição
para o duelo contra o São José-RS, pela segunda rodada do Campeonato Gaúcho e
pelo título da Recopa Gaúcha, confirmou a sua saída.
– Quero explicar para vocês (imprensa), que é verdade, estou
saindo do clube. Estou saindo por uma vontade minha, como explicou o Vitorio.
Surgiu uma chance muito boa de jogar na Argentina, no clube onde fui revelado.
Foi por causa do River Plate que consegui fazer uma carreira da qual não me
arrependo em nada. Estou orgulhoso. O Inter me buscou lá (em 2008) com o Vitorio
e o Fernando (Carvalho, ex-dirigente colorado) – destacou D'Alessandro, antes
de falar do River e se emocionar:
– Estou saindo só porque é o River. O River chegou com muita
vontade de contratar os meus serviços depois de 13 anos, abrindo essa chance
para eu voltar ao clube. Pedi para ele (presidente Vitorio Piffero) pensar bem
se tinha essa chance, essa chance foi concreta e se concretizou agora. Estou
saindo do clube... (começa a chorar).
D'Alessando havia, recentemente, acertado pendências
financeiras com o Inter, que lhe devia salários atrasados. Quando chegou ao
clube, ficou decidido que seu salário seria pago em dólar, que, na época estava
em R$ 2,88. Com a alta da moeda norte-americana desde o ano passado, o clube
gaúcho encontrou dificuldades em honrar os vencimentos integrais de argentino,
que nunca se queixou de tal situação. O valor que o Inter deve ao ídolo será
pago em parcelas.
D'Alessandro nunca escondeu que nutria o desejo de voltar ao
River Plate para, talvez, encerrar a carreira de atleta no clube que o revelou
e pelo qual disputou 89, marcou 24 gols e conquistou três vezes o Clausura do
Campeonato Argentino , em 2000, 2002 e 2003. Em seu retorno ao
"Millonario", D'Ale terá a oportunidade de ser comandado por Marcelo
Gallardo, que chegou a ser seu companheiro de River e terá um de seus ídolos
como dirigente: Enzo Francescoli.
D'Ale ainda buscará a segunda Libertadores de sua história,
agora pelo clube argentino. O River está no Grupo 1 da competição, ao lado de
The Strongest, da Bolívia, e Trujillianos, da Venezuela, e o vencedor do
confronto entre Oriente Petrolero (BOL) e Santa Fe, da Colômbia.